Postado em
05 de
fevereiro de
2010,
sexta-feira.
Na Itália, o salão MADE 2010 de Construção, Arquitetura e Urbanismo fala da Volta al Borgo, um retorno à aldeia natal, ainda que seja apenas por um final de semana, até a casa dos avós, a redescoberta das próprias raízes. A aldeia, a cidadezinha do interior, é um lugar de identidade e afeto, uma surpresa aonde voltar, uma revelação inesperada.
Andrea Negri, presidente do MADE, salão italiano de construção, projeto e arquitetura, diz que os burgos representam para a Itália uma esperança de renascimento urbano e cultural. Aqui, a aldeia murada de Montereggione, na Toscana, perto de Florença, citada no imortal poema A Divina Comedia,de Dante Alighieri, como um dos cenários.

O preço a pagar pela vida numa grande cidade é alto: poluição, estresse, carestia, solidão, alienação, ausência de vizinhos, tráfego intenso. Daí, a boa idéia de voltar à aldeia natal, uma pequena e muito antiga vila, com muros e castelos, obras de arte e vida pacata.
Segundo a Associazione Borghi autentici d’Italia, são 5.830 as aldeias autênticas com menos de 5 mil habitantes, em toda a Itália. Ali, nas cidadezinhas, vivem 18% dos italianos, entre 18 e 70 anos. Aqui aparece o borgo Castelnuovo dei Sabioni.

O burgo é um centro habitado muito antigo (57%), que pouco mudou ao longo do tempo (10%), lugar muito pequeno (45%), prevalentemente agrícola (7%), com muros e castelo (15%), lugar com obras de arte a serem preservadas (54%). Sempre que passo por um borgo, imagino as fofocas que fervem por ali. Afinal, na falta do que fazer, todos participam da vida de todos…
O MADE 2010, além de falar de antigos burgos italianos e europeus, revela stands de 1700 empresas, 254 das quais estrangeiras, inclusive chineses, numa área de exposição de 90 mil metros quadrados. São esperados esta semana na Feira de Milão, 200 mil visitantes.